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Julian Fellowes é um nome bastante conhecido. Mas não foi isso que me fez comprar este livro. Na realidade foi o preço, mas também a história de um milionário, Damian Baxter, que está a morrer e que não tem um herdeiro, contactar um conhecido do seu passado para averiguar quem lhe enviou uma carta, há muitos anos atrás, apregoando um filho ilegítimo.

 

Passado Imperfeito é uma viagem pelos anos 60, onde os últimos membros da aristocracia dos velhos costumes tentam manter algumas tradições, que já nada significam para os filhos. Os anos 60, onde a maioria das personagens eram jovens inconsequentes e altura em que o misterioso herdeiro foi concebido. O nosso narrador, aquele que apresentou Damian à aristocracia, é encarregado de relembrar o seu passado e revisitar as mulheres que fizeram parte da vida de ambos naqueles tempos e relembrar o que os afastou da sua vida. O resultado é uma utopia sobre o envelhecimento e a recordação de como era ser jovem.

 

Confesso que o livro é bem escrito e a história intrigante, mas sinto que faltou algo que realmente me cativasse. Penso que se daqui a vinte anos reler este livro, me irei identificar muito mais com ele, pois a minha falta de maturidade não me permite perceber muitas das situações que ocorreram (principalmente o fato de reencontrar pessoas quarenta anos depois e perceber que na maioria delas, quase tudo correu mal, e que todas as ambições que tinham se perderam). É uma história que quase poderia ter um final feliz, mas como a vida é feita de escolhas, o final feliz escorregou pelos dedos.

 

  

 

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publicado às 20:08

 

Como descrever este livro? Diferente, de tudo o que já li e possivelmente do que vou ler. E eu quando uso a palavra diferente normalmente quer dizer que não sei se gosto de uma coisa. Mas neste caso não é assim, porque penso que esta a palavra que melhor descreve o que li. E eu que não gosto particularmente de aranhas, fiquei agarrada com este livro.

 

Charlie Gordo é um americano que vive em Londres porque não aguentava mais o seu pai excêntrico que passou a vida a humilha-lo. Um dia, o pai morre e Charlie descobre que tem um irmão do qual nunca ouviu falar. E este irmão vai conseguir vira-lhe a vida do avesso e roubar-lhe a noiva. Ao tentar livrar-se do irmão, Charlie descobre que afinal o seu pai é Anansi, uma espécie de deus africano endiabrado e que nem tudo o que parece é. 

 

A realidade e a fantasia juntam-se de tal maneira neste livro, e criam um universo onde as aranhas fazem de pombo correio, o Tigre é um animal frustrado e os pássaros podem se tornar bastante vingativos. No final Charlie irá descobrir-se a ele próprio, ao irmão e sobretudo ao pai de ambos. Uma aventura por um mundo original, uma história como nunca tinha lido (e acreditem que já li muitas) e sem dúvida um autor que quero seguir.

 

  

 

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publicado às 18:42

A Moca

26.04.14

Fugindo ao tema comum por estas bandas, e por ontem ter sido o 25 de Abril, resolvi dar um esmalte politico aqui ao cantinho. Eu não assisti à revolução, nem sei o que é viver em ditadura. O que sei daqueles idos são as histórias que ouço dos mais velhos e o que leio por ai, sendo o meu pai uma das fontes mais preciosas. E nem quero falar do 25 de Abril em si, mas do que veio depois. Do momento em que Portugal quase virou um pais comunista (e como estaríamos hoje se assim fosse?). Eu conheço os valores do comunismo, aprendemo-los na escola, nas aulas de História. Acho-os bonitos, na teoria, embora nas situações práticas que conhecemos é possível ver que não funcionam muito bem (sinceramente não gostava de viver na Coreia do Norte, Cuba e etc). Uma amiga contou-me uma história pequena para explicar o comunismo a qual achei imensamente simples e a ser bastante precisa. Uma menina deu na escola os valores do comunismo, e foi falar com o pai em como era bom viver num pais onde seriamos todos iguais. O pai, virou-se para ela e perguntou-lhe que nota uma amiguinha dela tinha tido no teste de português. A menina respondeu dez. E o pai perguntou que nota tinha tido ela, ela disse vinte. O pai explicou-lhe então que segundo as regras do comunismo, tanto ela como a amiga teriam ambas quinze, apesar de ela ter estudado muito mais que a amiga. A menina ai, já não achou tanta piada.

 

Mas voltando ao titulo do post. Eu sou da zona de Rio Maior. Se ainda hoje perguntar a alguém mais velho, como os meus avós, pelos comunistas, eles ficam amplamente revoltados e penso que nem em sonhos votariam no PCP para o governo, tal é a antipatia que nutrem. Pessoalmente não sou apologista de partidos, mas de pessoas e de ideias. Eu não voto, nem nunca votei com base no partido. Mas naqueles tempos de à quarenta anos atrás, uma terra tão pacata como Rio Maior virou o marco que separava o Sul Comunista do Norte que não era tão apologista dessas ideias. Houve mocadas e ameaças de cortas a antiga Nacional 1, que ligava o Porto a Lisboa. Houve rixas e revoltas mais ou menos silenciosas. É estranho ver um pais em que as pessoas são conhecidas por ser pacificas neste estado de panela de pressão. O meu pai trabalhou nas zonas do Cartaxo e da Azambuja nesses tempos conturbados, e ainda hoje me diz que as pessoas eram extremamente simpáticas e prestáveis, mas aí de quem dissesse alguma coisa contra o comunismo. 

 

No fim Portugal não virou comunista, mas aqueles tempos do que quase poderia ter sido ainda permanecem nas mentes dos que viveram esses dias conturbardos. No fim ganhou a liberdade, mas como tudo na vida, a liberdade veio com um preço, que hoje estamos a pagar.

 

Ver:

 

O que é a moca de Rio Maior

 

Moca de Rio Maior considerada arma proibida

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publicado às 10:30

 

Apesar de não ser meu hábito, comprei este livro pela capa, acho-a lindíssima. Apesar de uma história sobre lobisomens não me interessar. Aliás, nada de vampiros nem lobisomens. Nada contra quem gosta, mas eu não gosto, não tenho paciência, e houve alturas em que me exasperava em tentar encontrar um livro que não fosse sobre vampiros e/ou lobisomens. Até li o Crepúsculo, da Stephanie Meyer e gostei, também vi o filme. Comprei o segundo livro, Lua Nova e odiei. Pronto, a minha história com este tipo de fantasia ficou por ai. Felizmente para mim essa moda está a passar, embora a nova moda de romances sadomasoquistas também não me interesse, sempre é diferente.

 

Mas voltando a Shiver. É a história de dois adolescentes, Sam e Grace, ele lobisomem, ela humana. E ele só se transforma em humano quando faz calor. Conheceram-se no dia em que Grace foi atacada por lobos e Sam a salvou, ainda em crianças, desde então, vêm se observado a distância, ele em lobo, ela humana. 

 

Bem, o que posso dizer. O livro é tão chato como a sinopse diz. As personagens não me prenderam, e parece que é sempre igual, não há solidez na história. Confesso que não consegui ler o livro até ao fim (e tem de ser um livro muito desinteressante para que eu desista de o ler, porque tento sempre lê-los até ao fim, mesmo quando a história não me prende). Não só por ser uma história de lobisomens, não consegui sentir empatia com a Grace, e com a sua obsessão. Parece que a história é tão focada em lobos que quase se parece esquecer do resto da vida dela. Foi uma grande desilusão, pois até tinha lido boas criticas do livro, principalmente de pessoas que não são fãs deste género.

 

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publicado às 17:28

 

Só pelo titulo eu diria que vamos ter mais um livro de um protagonista ogre que obriga uma simpática moça a casar com ele através de chantagem e no final acabam perdidamente apaixonados. Ok, até pode ser em parte assim, mas este Casamento de Conveniência acaba por ser diferente de qualquer livro com um titulo semelhante que esteja numa banca de jornais.

 

Priya é uma jovem indiana de boas famílias que vem viver para Los Angeles após casar com um bom rapaz indiano que vive na América. Como é tradição na índia, o jovem casal vai partilhar a casa com a família dele, e Priya, como nora, deve de ser um exemplo de servidão e obediência. Como a vida na América é muito cara, a sua sogra (quantas e quantas vezes não tive vontade de lhe dar um murro) obriga-a a arranjar um emprego. Priya teve educação, e sempre de desejou ser jornalista, mas este emprego é mal visto pelos sogros. Aceita então um emprego de recepcionista, mas uma situação caricata vai trazer uma promoção e a necessidade de mentir à família, o que porá em risco o seu casamento e tudo o que acredita.

 

O livro é pequeno, a típica leitura levezinha para uma tarde em que apetece relaxar. A história é suave, lê-se bem, tem alguns momentos dramáticos, mas o seu verdadeiro trunfo é a maneira como nos mostra a cultura indiana de uma maneira simples (fiquei chocada com o facto de no casamento a noiva perder todo o seu nome, que é totalmente escolhido pelo seu marido). O choque entre a cultura indiana e a americana irá deixar Priya numa situação delicada, mas no fundo isso é essencial para o seu final feliz. Não se pode esperar grandes reviravoltas nem grandes surpresas neste livro, é um livro bem básico, que se limita a contar uma história que poderia ter sido muito mais explorada (por exemplo, não senti qualquer empatia pelo Sanjay, o marido de Priya, cheguei ao fim a pensar que não o conhecia). E o final, apesar de previsível, deixa a sensação de terem ficado demasiadas pontas soltas, como se tivesse sido arrematado á pressa.

 

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publicado às 14:36

O Jogo do Anjo

25.04.14

 

Confesso que já tenho este livro à vários anos, foi-me oferecido, numa altura em que nunca tinha ouvido falar de Carlos Ruiz Záfon. Penso que as pessoas que o me ofereceram, que não são nada de odes literárias, também não sabiam quem era o autor, e compraram-no pelo tamanho (mas os livros como tudo na vida, não se medem pelo tamanho). A primeira leitura que fiz deste livro não foi das melhores e lembro-me de apesar de não ser desinteressante de todo, me tinha parecido bastante confuso e tinha ficado com séria má impressão dele. Hoje, sei que naquela altura não tinha maturidade para o compreender, pois a segunda experiência a lê-lo foi completamente diferente.

 

A história de David Martin pode ser no mínimo, intrigante. Um jornalista, que queria ser escritor, mas que começa como moço de recados num jornal, que teve uma infância difícil e vive na pobreza. Uma personagem, cujo o talento e a ajuda de um rico membro da sociedade de Barcelona dos anos 20, cresce a nível literário, e a quem um dia é feita uma proposta inusitada por um estranho editor francês que assina todas as suas missivas com um anjo. E esta proposta irá mudar para sempre a vida de David Martin. 

 

É uma história repleta de mistério em que muitas vezes é difícil distinguir a realidade da ilusão e que de certo modo se transforma de um romance dramático em um policial. A descrição de uma Barcelona caótica e as personagens que nos são apresentadas são ricas, embora trágicas. Embora as descrições pudessem ser algumas vezes maçantes, a história e o mistério que a envolve acabam por ser mais fortes. Não é um livro para os amantes de finais felizes, mas um livro para os amantes da realidade e da complexidade do cérebro humano.

 

 

 

 

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publicado às 14:23



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