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A primeira coisa que chama a atenção neste livro é o titulo. Até mesmo quem não aprecia o género já ouviu falar (o que é o meu caso). Este título tem algo de sinistro. É uma frase forte e marcante, que retrata bem o livro: encontramos umas quantas personagens, masculinas, que efectivamente odeiam as mulheres. E depois encontramos um homem e uma mulher (mulher esta que no mínimo se podia quase classificar mais como uma vitima destes homens do que a pessoa que lhes vai dar umas lições) que não gostam dos homens que odeiam as mulheres (mas afinal só outro sádico para gostar de um sádico).

 

Mikael Blomkvist é um jornalista que caiu em desgraça depois de publicar um artigo sobre um empresário, Erik Wenestrom, e ser condenado em tribunal por difamação. Acaba por receber um estranha proposta de Henrik Vagner: escrever a biografia da família Vagner, uma outrora poderosa família que agora se encontra em declínio financeiro, ao mesmo tempo que investiga o desaparecimento de Harriet Vagner que aconteceu nos anos 60. Conhecemos Lisbeth Salander, uma jovem com problemas mas muito inteligente e uma excelente investigadora que chega onde mais ninguém consegue ir. Os dois vão acabar por unir esforços para resolver estes dois mistérios: o que aconteceu Harriet e como derrubar Wenestrom.

 

Para quem não gosta de policiais, com crimes macabros, homens odiosos e completamente doidos, algumas descrições sádicas e um protagonista que gosta de ter a cama quente é melhor irem ler outro livro. Para os outros é um bom livro, arrepiante, mas bem conseguido. Os protagonistas são complexos e densos e conseguimos sentir-nos na pele deles: desde um Mikael dividido entre a ética e a lealdade, a uma Lisbeth que apesar dos seus instintos de auto defesa e isolamento ao mesmo tempo quer sentir-se integrada. Aliás para mim Lisbeth foi o que tornou este livro diferente dos outros policiais: apesar de alguns dos seus métodos serem questionáveis, a forma como leva a bom porto as suas vinganças acaba por ser compreensível. A história, apesar de um bocado descritiva demais em alguns crimes é viciante e embora alguns pontos sejam previsíveis conseguiu surpreender-me.

 

Este livro já deu um filme (ou ao que parece dois!), que confesso que comecei a ver uma vez mas não terminei. Mas também já é normal eu gostar mais do livro do que da respectiva adaptação cinematográfica.

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publicado às 15:59

 

Não conhecia Tessa Dare. Apenas que diziam que ela seria a próxima Julia Quinn e eu pensei, bem então a senhora deve de escrever uns romances históricos inteligentes e com sentido de humor. Não me pareceu ou então tive muito azar com o livro dela que escolhi.

 

Clio (que me lembrou obviamente o Renault Clio) é uma moça que há oito anos espera que o noivo se decida a voltar ao continente e a casar com ela. Quando ela finalmente recebe uma herança e decide tomar as rédeas da sua vida e cancelar o noivado, aparece Rafe, o irmão do noivo, conhecido como lutador de boxe, que tenta convence-la com muitos preparativos de casamento a não desistir do noivado, para ele poder voltas ás lutas em vez de andar a tomar conta dos assuntos pendentes do irmão enquanto ele está fora. Mas entre fitas, bolos e convites os dois acabam por se apaixonar.

 

A história é de espasmos. Ora temos uma parte aborrecida em que parece que não se passa nada, ora temos uma conversa divertida (tanto entre Clio e Rafe como entre Clio e as irmãs) ora voltamos a ter uma história sem sal que parece não saber muito bem onde vai parar. Gostei das irmãs da Clio, muito contrastantes entre si e tive pena das suas personagens não terem sido mais exploradas. Os protagonistas têm química e são fofinhos um com o outro, e o livro tem algumas cenas engraçadas como a guerra de bolos ou quando o noivo volta e cão que estava morto ressuscita. O pensamento do Rafe de "como posso competir com ele se até ressuscita cães mortos" foi bem conseguido. Dai haver um conflito quanto à nota deste livro: se por um lado merecia três estrelas por estas tiradas engraçadas que há pelo meio na verdade a parte aborrecida foi mais constante no livro que a parte positiva.

- De que tem medo?

             De ti. De mim. Do bolo. Do Piers. Do casamento. De aranhas.

             De tudo.

            - De nada. - mentiu.

 

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publicado às 21:45

Este é daquele género de livros que provoca no leitor um sentimento de revolta e impotência, pois passei metade do livro com aquela sensação de que querer entrar dentro da história e abraçar a Tori, dizer-lhe que estava tudo bem e que ela não era a culpada de tudo o que lhe estava a acontecer. 

 

A história é contada de duas perspectivas: se por um lado vemos uma Tori adulta que está a lidar com os últimos dias da sua mãe, noutro vemos a Antonietta, uma criança que foi alvo de abusos por parte do pai durante 8 anos. Se no inicio conhecemos uma Tori que se sentia amada e protegida enquanto o pai trabalhava longe, vamos assistindo ao longo do livro a perda da inocência de Tori, com os abusos físicos e psicológicos do pai e o silêncio da mãe que soube de tudo pela própria filha e nunca fez nada, ficando sempre do lado do marido até ao fim.

 

Costuma-se dizer que há pessoas que têm filhos e não mereciam ter e outras que não os conseguem ter dariam excelentes pais. Os pais de Tori são claramente o exemplo de quem não devia de ter filhos. Ele por ser o monstro que é (mete uma confusão desgraçada como alguém consegue ter prazer em violar uma criança, quanto mais quando é a própria filha) e a mãe por conseguir viver até ao fim ao lado do homem que ainda vê como aquele por quem se apaixonou, mas que viola a própria filha (mesmo após a implosão do caso ela no fim continua a idolatra-lo). Tori, que no fundo só queria sentir-se amada acaba por sofrer com os tormentos do pai, a indiferença da mãe e a repreensão pública da família e de todos da zona vive que a discriminam porque afinal ela esteve oito anos sem dizer nada, é mais culpada que o pai. Estas histórias dão raiva e pronto. No fim, a mãe de Tori vai sempre escolher o pai e o pai vai sempre escolher os seus vícios. 

Ne le dis pas à maman (Littérature & Documents) (French Edition)

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publicado às 20:08

Sua Alteza Real

13.05.16

 

Apesar do género de livros que costumo ler ser muito numa onda parecida com o estilo de Danielle Steel posso dizer que apenas li um livro dela, cujo o título não me lembro bem, mas era a história de uma mulher jovem que tem um filho para criar e que o marido teve um acidente e está preso num corpo de adulto mas tem a mentalidade de uma criança. Algo assim. Mas sei que gostei. Ainda bem que não foi este Sua Alteza Real o primeiro livro que li dela, senão acho que nunca mais leria nada dela.

 

Christianna é uma princesa do Linchestein que vive aborrecidíssima com a sua vida atrás das portas do palácio. Decidida a fazer algo melhor pela sua vida vai para África numa missão humanitária da Cruz Vermelha. E apaixona-se por quem não deve.

E é isto, no livro não se passa muito mais. A primeira parte do livro temos um Cricky aborrecida por ter voltado da universidade e passar o dia sozinha no palácio ou a cortar fitas. Na segunda parte temos uma Cricky que vai para África e adora tudo. Depois temos tragédia. Depois o final feliz. Pelo meio ficamos fartinhos de saber o quão perfeita e bondosa é a nossa Cricky (que nos livrem da moça ter um defeito sequer!) e com descrições de tudo e mais alguma coisa que a certo ponto comecei a ler na diagonal porque eram precisas não sei quantas frases para descrever um situação (ou para dizer mais uma vez o quão perfeita era a Cricky). Basicamente a perfeição estragou a protagonista e as descrições infinitas estragou o resto. E claro o moço por quem ela se apaixona também é perfeito. As única pessoas não perfeitas da história acabam por ser o pai de Cricky (porque é contra o que ela quer fazer) e o irmão e herdeiro da coroa (que só quer rambóia). Ah e só no final do livro se percebe o nome deste, afinal Christianna é tratada por Sua Alteza Serenissima e não Sua Alteza Real.

(Até a moça da segunda capa tem um ar aborrecido)

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publicado às 19:45

 

Apesar de não ser o meu estilo literário de eleição, de vez em quando é preciso levar com uma dose de realidade e conhecer pessoas reais que mesmo de tenra idade tiveram a coragem de enfrentar a família pela sua dignidade.

 

Nojoud vive no Iémen e a família dela é bastante pobre. Um dia o pai dela concorda com o casamento dela com um homem mais velho e embora acorde que a menina só pode perder a virgindade quando tiver a primeira menstruação, o marido de Nojoud não respeita isso e leva-a numa espiral de violação e violência. Na tentativa de se libertar desta prisão Nojoud pede o divórcio e curiosamente é ouvida, tornando o seu caso sem precedentes como inicio de uma mudança da lei naquele pais.

 

A história é contada de forma bastante simples, afinal Nojoud tem apenas 10 anos. A sua maneira de ver o mundo é tocante, principalmente a forma como vê a beleza das coisas, da sua cidade. Ao decidir pedir o divorcio, começou algo que possivelmente irá afectar o resto da sua vida: como a própria conta ainda hoje o seu irmão mais velho não vê com bons olhos tudo o que aconteceu, por causa da honra que é o mais importante para os homens daquele pais. E se por um lado a vida de Nojoud mudou, por outro ficou na mesma, voltou para a família sim, mas ainda vive lado a lado com a pobreza e a mendicidade. Um relato tocante e simples que todos os jovens deviam ler. Eu não sei se teria tido a coragem e a força dela se tivesse sido criada dentro da mesma cultura.

Para quem quiser o que é feito da Nojoud hoje em dia, faça uma pesquisa no Google. Vão descobrir que o pai dela não mudou.

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publicado às 20:55

A rainha branca

02.05.16

 

Esta é a história da infame Isabel Woodville, uma das mais controversas e detestadas protagonistas da Guerra das Rosas que assolou a Inglaterra (e quem leu os outro livros desta série nomeadamente na Filha do Conspirador e na Rainha Vermelha conhecia bem o lado de quem a detestava). E se na Senhora dos Rios (a história da mãe de Isabel) já tínhamos ficado a conhecer o outro lado da história neste livro temos por fim a versão dela (que curiosamente é no primeiro livro da série, embora seja o último que li, não acho que nesta série a ordem seja muito relevante, porque todos os livros contam basicamente partes da mesma história mas de perspectivas femininas diferentes).

No resumo da história Isabel Woodville é uma viúva pobre que ascende a rainha de Inglaterra por meio da sua beleza (e quem diga magia) e que quando chega ao poder a sua principal preocupação é distribuir toda a riqueza de Inglaterra pelos membros da sua família. Esta atitude irá fazer com que ganhe muitos inimigos o que fará da história dela uma história de revolta. E claro, na recta final do livro temos a opinião da autora sobre o que poderá ter acontecido aos príncipes da Torre, filhos de Isabel e Eduardo IV que foram para a torre e nunca mais foram vistos (nem em vida, nem em corpo).

 

Ao contrário dos outros livros este livro tem uma vertente sobrenatural (em que a família de Isabel por descender supostamente da deusa da água, Melusina, tem poderes e acaba por causar algumas tempestades e agoiros durante a história), o que não sei se me agradou muito, porque visto que se trata de um romance histórico baseado em personagens reais pareceu destoar um pouco dos outros livros (embora os rumores de Isabel ser meio bruxa existissem na realidade, a mãe dela foi mesmo acusada disso mesmo). Outro ponto que é diferente de um romance desta época é que Isabel e Eduardo casaram por amor (ou uma grande dose de luxúria, depende do ponto de vista) e tiveram uma relação em que ela o influenciou muito (excluindo em algumas decisões finais que irão culminar com os príncipes na torre). Foi engraçado ver como por exemplo na Filha do Conspirador, Ana e a sua irmã Isabel odiavam tão fervorosamente Isabel Woodville quando que nesta obra Isabel Woodville mal pensa nelas e referece-se sempre a elas com uma certa dose de pena. Isabel Woodville tem um lado bom e um lado mau: é claramente uma pessoa dedicada a família que defende os que ama com unhas e dentes, mas tem também um lado vingativo e é obcecada com o poder, mas mais uma vez a personagem que mais me aguçou a curiosidade acabou por ser a sua filha Isabel, protagonista de A Princesa Branca, o quinto livro da série. Isabel (filha) demonstrou ter um espírito bastante lutador e muitas vezes numa fase final da obra faz frente às atitudes da mãe. 

 

Foi um livro bom, bem escrito, com uma dose de realidade e invenção equilibradas (possivelmente se fosse uma especialista na Guerra das Rosas detestaria este livro porque é mencionado como sendo demasiado imaginado), mas que não foi o meu preferido da série até agora, pelo contrário ficou entre os que eu gostei menos.

 

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publicado às 20:23



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