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Uma Questão de Classe

Normalmente tenho uma memoria fantástica, acima da média acredito. Mas ao longo do tempo acho que o meu cérebro começou a catalogar melhor a informação que guarda (provavelmente devido à minha profissão) e dou por mim completamente esquecida de alguns livros que li (um dos motivos de criação deste blog começou por ai). Então parece que este livro de Joanne Harris tem um antecessor, chamado Xeque ao Rei, que eu li em 2016 e do qual não gostei muito. Quando comprei o livro não me apercebi disso, apenas quando comecei a ler este algumas referências ao antecessor me chamaram a atenção e fui ao goodreads e vi a minha review da altura!

 

Falhas de memória à parte, esta é a história de um colégio só de rapazes que após a crise, que se passou no livro anterior, está em maus lençóis financeiros. Para o salvar vem um novo diretor, um ex-aluno do professor Straitley, que lhe dá arrepios na espinha. O velho professor não vai ver com bons olhos a modernização do colégio e até a possível fusão com o colégio feminino. Todos parecem adorar o novo diretor e só ele parece sentir que algo de muito errado se passa. Ao mesmo tempo vamos seguindo a narrativa de alguém que vive nas sombras e que nos conta a história de quando o diretor era aluno do colégio e a sua estranha obsessão.

 

É uma história de mistério, choque entre o velho e novo, obsessão e vingança. A narrativa é lenta ao inicio, dividida entre a luta do professor Straitley contra a modernidade e o diário de um rapaz muito perturbado. No presente, a curiosidade é aguçada ao tentar descobrir quem aquele rapaz se tornou e que segredos o diretor esconde. Não é o melhor romance de mistério, mas cumpre o seu papel, com espaço para a questão que se revela no fim: conhecemos realmente alguém?

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publicado às 21:02

Uma Herança Perfeita

Para o meu radar de leitora um livro que promete uma casa de moda em decadência, um choque de gerações e mulheres independentes e lutadoras é como uma cereja em cima de um bolo (de chocolate de preferência!). A House of Farrel foi outrora sinónimo de classe e muito dinheiro. Mas com o novo século a marca entrou em decadência e enfrenta mesmo o risco de falir. A lendária Athina Farrel que fundou a marca com o marido, já falecido, não quer deixar ninguém mandar na empresa que criou, mas acaba por admitir que precisa de ajuda. Entra em cena Bianca Bailey, bonita, bem sucedida, uma família perfeita. E já salvou muitas empresas da falência. O choque é imediato e o desafio maior do que Bianca esperava, pois a relação com Athina não é fácil e elas acabaram por se sabotar uma à outra.

 

Eu estava à espera de mais por parte da Athina: já li outros romances com personagens semelhantes em que, apesar dos seus feitios de diva, no fundo criavam empatia e tinham um outro lado. Mas Athina para mim foi uma pessoa detestável...oh mulherzinha irritante. Infelizmente a Bianca não ficou atrás: uma workaholic que vai por em risco a sua vida familiar por causa deste projeto, que começa como uma mulher dos nosso dias, mas que se acaba por envolver em algumas situações e ter algumas atitudes que fizeram com que gostasse menos dela. Felizmente para mim o livro era centrado nelas as duas mas não apenas sobre elas: havia todo um leque de personagens à volta com as suas próprias histórias e dramas: funcionários da empresa vitimas de violência psicológica, os dramas pessoas dos herdeiros de Athina (com destaque para o filho e a neta), o bullying que a filha de Bianca sofre e sobretudo a vida da mulher que Athina mais rebaixou a vida toda, que para mim teve uma vida mais rica e muito mais interessante que a de Athina.

 

É um livro grande, talvez demasiado, um bocadinho descritivo de mais. Tem muitas histórias, mas não me senti perdida, havia ligação entre as histórias, as personagens estavam bem identificadas. Um ponto desfavorável foi a previsibilidade: acho que o único final que me surpreendeu foi o da vida amorosa da Bianca.

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publicado às 18:42

A Rainha de Tearling (A Rainha de Tearling, #1)

Passada algures num futuro distópico em que regressamos à idade média, em que se tem conhecimento de tecnologias que se perderam e em que houve uma travessia (em barcos ao que parece) para um mundo novo, Tearling é um reino desigual, governado pelo regente, um homem que só pensa nele próprio e é um fantoche nas mãos da rainha Vermelha (de um reino vizinho). Kelsea, a verdadeira herdeira do trono viveu escondida praticamente a vida toda e foi treinada em segredo para ser rainha. Mas quando o momento chega, ela percebe que está muito pouco preparada.

 

Pelo próprio inicio deste texto dá para perceber que não é muito claro como este universo surgiu. Sabemos que a nossa realidade existiu, mas não é claro como cessou. Para mim falta ali um enquadramento e foi muito difícil imaginar uma ação com cavalos, lutas de espada e em que a pólvora era rara como uma sociedade do futuro. Penso que mesmo num cenário muito catastrófico haveria sempre resquícios maiores da nossa realidade: armas, por exemplo.

 

Mas ignorando essa parte e vendo aquilo como um reino do passado, a história não deixa de ser diferente. Kelsea é uma heroína que me deixou assim-assim: identifiquei-me com a solidão dela, com a sua reação perante uma tarefa que não tem respostas certas. Por outro lado, achei-a infantil e ás vezes demasiado ingénua. A narrativa é incoerente e os grandes "maus" acabam por ser "meh". O regente é afastado com demasiada facilidade a meu ver e o pouco que vemos da rainha vermelha é que ela gosta de sacrificar crianças a entidades obscuras e gosta de sexo. Já vi bem pior no mundo literário, tendo em conta que só um dos pontos é mau.

 

No fim, uma ideia gira que podia ter sido bem melhor desenvolvida. Mas sendo o primeiro livro da autora, devo dar um desconto. De qualquer modo nos meus planos a curto prazo não tenciono continuar a leitura desta série.

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publicado às 21:17

The Greek Myths: The Complete and Definitive Edition

Quando não estou a ler romances lamechas gosto de história. E a mitologia no geral sempre me interessou, seja a grega, a romana ou a nórdica. Este livro expõe alguns dos mitos mais conhecidos do mundo grego antigo ao mesmo tempo que inclui explicações sobre esses mesmo mitos, o seu significado e a equivalência com a cultura, as revoltas e as conquistas que existiram no mundo helénico e arredores.

 

Coisas boas: gostei de conhecer os diversos mitos, alguns novos e umas quantas personagens. Conhecia mal por exemplo, a história de Teseu e de outros quantos filhos de deuses menos conhecidos, mas no geral conhecia a maioria, principalmente na segunda parte que aborda por exemplo, a história de Hércules e a guerra de Troia. Gostei de conhecer as histórias por detrás dos mitos, como uma cultura em que a mulher era dominante passou a ser dominada pelo homem e como isso teve repercussão nestas lendas.

 

Coisas menos boas: talvez fosse um livro demasiado técnico para um leiga em história como eu, que não conhece profundamente o período, apenas superficialmente e definitivamente nunca estudou história a nível académico. Ás vezes também era confuso os nomes: algumas histórias tinham personagens com os mesmos nomes ou com diversos nomes para a mesma personagem, havia muita árvore genealógica e isso por vezes deixava-me perdida. As explicações por detrás dos mitos tornaram-se a certo ponto repetitivas (a passagem da cultura feminina para masculina aparecia em quase todas).

 

Um livro interessante para a minha cultura mitológica, mas que teria sido mais fácil se tivesse uma linguagem mais acessível para quem não domina história ou o período em questão.

 

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publicado às 21:22

Heartless

11.01.19

Heartless

Ninguém escreve novas versões de contos de fadas como a Marissa Meyer. Neste aqui a protagonista não é a boazinha, mas a má. A Rainha de Copas que tanto queria cortar a cabeça a toda a gente. O desafio aqui foi transformar uma rapariga simples que adorava cozinhar e era amiga de toda a gente numa rainha sem coração. 

 

Catherine é filha de um marquês e uma das moças mais desejadas no reino de Copas. É popular, toda a gente gosta dela e o rei quer fazer dela sua noiva. Mas o sonho de Catherine é abrir uma pastelaria e dedicar-se inteiramente a fazer sobremesas deliciosas. O destino, esse malvado, fará com que ela desenvolva uma relação complexa com o bobo da corte (joker) ao mesmo tempo que é cortejada pelo rei (que não quer).

 

A autora conseguiu uma coisa que para mim resume o sucesso da obra: conseguiu fazer-me desejar que a Catherine tivesse o seu final feliz e fazer-me pensar como aquela moça doce ia virar tão má. Ao mesmo tempo introduz o passado de outras personagens de Alice no Pais das Maravilhas, como o coelho ou o chapeleiro maluco (que aqui não era maluco) e como algumas delas se tornaram assim. A reviravolta torna toda a história para mim muito mais interessante, pois até ali, apesar de gostar de Catherine, o livro estava bastante morno.

 

No final, não chega ao nível de outros livros da autora, mas é uma história que não deixa de ser interessante.

 

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publicado às 21:10

Uma Noite para se Render (Spindle Cove, #1)

Em vez de uma casa que é um refúgio para mulheres desta vez temos uma aldeia em que toda ela é um refúgio para mulheres. No próximo espero encontrar num mínimo, um país! 

 

Spindle Cove é uma aldeia perdida para onde jovens mulheres são enviadas por terem sido ou inconvenientes, ou doentes, ou alvo de escândalo, pois é uma zona com muitos poucos homens. Susanna Finch é uma espécie de líder da comunidade e quer ajudar todas estas mulheres a recuperarem a sua auto estima livres dos grilhões da sociedade da época. Bramwell é um tenente-coronel que sofreu um ferimento e para voltar à guerra tem de formar uma melicia perto de Spindle Cove. As tentativas de encontrar homens numa zona tão "feminina" são frustrantes e acaba por se instalar uma pequena guerrilha entre ele e Susanna.

 

Ao inicio custou muito entrar no livro. Achei a narrativa perdida e pouco cativante, mas lá a mais de meio a coisa torna-se interessante, toda a questão de homens versus mulheres ganha outra dimensão e começo a sentir um carinho pela história, apesar dos protagonistas não serem nada de especial todas as outras personagens acabam por trazer algum brilho e algumas gargalhadas. Mas estive mais que uma vez tentada a desistir deste aqui, penso que a autora já escreveu livros melhores.

 

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publicado às 20:04

10 Segredos para Ser Seduzida por um Lorde  (Love By Numbers, #2)

Quando li a sinopse deste aqui pensei...onde eu já vi isto: senhoras criam refugio para fugir de passados trágicos... pois, numa série da Madeline Hunter, conhecida por Wallflowers. Há algumas nuances claro, esta versão é mais "ilegal" e mais perigosa para elas.

 

Isabel é filha de um conde que gastou todo o dinheiro no jogo e concedeu a sua mão em diversos jogos de azar. Por sorte, ela conseguiu expulsar sempre os seus "noivos". Com a morte do pai, ela fica com um irmão conde de apenas dez anos e uma casa cheia de mulheres escondidas que se disfarçam de homens. Nicholas é eleito por uma revista um dos solteiros mais elegíveis. Quando uma amigo lhe pede para encontrar a irmã que desapareceu ele aproveita a oportunidade para sair de Londres e das mulheres que se atiram a seus pés. A pista leva-o até Isabel e os dois acabam por se envolver num jogo perigoso que pode denunciar e destruir o segredo de Isabel.

 

Dito isto tudo, a história é fofinha, um pouco parecida com outras como mencionei no inicio, embora a parte de ter um mordomo, um jardineiro, um cavalariço em que todos são mulheres disfarçados dá uma dinâmica mais divertida a história. O casal principal é ok, não senti nenhuma empatia especial, mas também não foram desagradáveis. A história não tem o melhor ritmo do mundo, mas quando se está doente e não se pode sair de casa, acaba por ir andando e para o final fica mais interessante.

 

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publicado às 19:50

Crazy Rich Asians (Crazy Rich Asians, #1)

Eu não conheço ninguém de origem asiática, mas conheço alguns clichés culturais a eles associados: a obsessão com as boas notas, a carreira profissional e o dinheiro. Crazy Rich Asians acompanha várias personagens da mesma família, ricas, em que umas exibem a riqueza e outras são forretas. No meio disto tudo está Rachel, uma chinesa/americana que vai com o namorado, Nicholas, conhecer a família dele. O que ela não sabia é que a família e os amigos dele vivem num meio opulente e são todos completamente doidos e que ela está abaixo do nível deles.

 

Este livro é qualquer coisa. A família de Nicholas é enorme e confesso que mesmo no final do livro ainda não sabia bem quem era filho de quem. Ao mesmo tempo em que assistimos a uma parada de roupa e carros de luxo, tentativas de se ser famoso e o casamento do ano, percebemos também porque Nicholas vive nos EUA e nunca falou à namorada da família. Rachel é uma mulher moderna que ao inicio se deslumbra, mas depressa percebe que não a querem lá, em vez de se deixar levar pelo tão comum nestes livros de "ele é rico, vamos fazer coisas de ricos e viver felizes para sempre". Astrid também foi uma personagem que gostei de conhecer e parece que tem uma história interessante para contar. Ela é prima de Nicholas e considerada bonita e com muito estilo. Mas algo se passa no seu casamento.

 

No fim deste livro ri-me muito, mas ao mesmo tempo também fiquei chocada com os clichés. Gostei da Rachel e do Nicholas e queria saber para onde vai a história deles a seguir. Talvez um dia leia a continuação.

 

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publicado às 20:29

The Plantagenet Prelude (Plantagenet Saga, #1) The Revolt of the Eaglets (Plantagenet Saga, #2)

Com alguns livros sobre a Guerra das Rosas que li nos últimos anos surgiu a curiosidade de saber como surgiu a dinastia que termina (de vez, não oficialmente) no fim desta guerra. Ou seja, os reis de Inglaterra eram até então da casa Platageneta e no fim desta guerra surge a Casa Tudor a reinar na Inglaterra. Jean Plaidy, pseudónimo de Eleanor Burford, lançou vários livros sobre este e outros períodos da história inglesa e francesa nos anos 70 e pareceu-me uma aposta interessante para conhecer melhor este período.

 

O primeiro livro começa com a história de Leonor de Aquitânia (ou Eleanor) uma conhecida minha de um livro recente. Tenho a dizer que a Leonor apresentada em ambos os livros é bastante diferente: em a Rainha do Verão Leonor é uma duquesa que ama a sua terra e quer ser levada a sério como governante. Neste, Leonor é mais fútil e mais intriguista e foi para mim difícil conjugar as duas numa só. Num a maioria das histórias dos amantes dela são boatos, noutra são verdade. Ela tem uma vida bastante atribulada, dois maridos e uma família que se vai auto destruir. O segundo marido dela, Henry II é quem na prática cria a casa Platageneta na Inglaterra e tem uma personalidade tão forte como ela. O segundo livro termina com a morte deste rei.

 

A escrita podia ser melhor, mas dou-lhe o desconto do tempo e além disso não os li apenas na perspetiva de romance, mas mais na perspetiva de curiosidade histórica e esse papel eles cumprem bem. As personagens vão crescendo e mudado ao longo da história e aqui todos os boatos históricos são verdade. Uma leitura interessante para os amantes de história e não apenas de romances históricos. Eu vou continuar com a leitura desta saga.

 

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publicado às 23:58

A Lady Improvável (Playful Brides, #3)

 

Sinopse: "Jane Lowndes é uma jovem solteira de 26 anos que adora ler e que sonha em passar o resto dos seus dias a estudar, a lutar pelos direitos das mulheres e a frequentar salões intelectuais. Contudo, a sua mãe tenta insistentemente convencê-la a casar e a participar em eventos sociais. Lorde Garrett Upton é um solteirão despreocupado que sobreviveu à guerra e regressou a Londres com o intuito de aproveitar ao máximo a vida. Tal como Jane, não tem qualquer intenção de se casar. Ambos se conhecem há vários anos, mas não se toleram, estando constantemente a discutir e a provocarem-se. Só que um dia, num baile de máscaras, beijam-se, sem saberem a identidade um do outro. Quando o descobrem, tudo começa a mudar entre eles."

 

Este é o tipicamente banal romance de menina "nerd" que gosta de ler livros e o menino que supostamente "anda com todas" mas na realidade é "nerd". Qualquer coisa assim. Ah, e discutem o tempo todo até se beijarem...depois tornam-se mais amigos.

 

O inicio foi duro. Não sentia grande empatia com as personagens, ainda mais este parece ser o terceiro livro de uma saga e as personagens dos dois anteriores estão presentes com muitas frases que penso que quem só leu os outros iria perceber. A partir do beijo, a história fica mais interessante, porque os protagonistas saem do cliché inicial e desenvolvem um pouco as suas personalidades e há alguns momentos cómicos. Um livro fofo e leve, nada de novo, nada de velho.

 

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publicado às 17:56



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